Siga-nos:

Body piercing: arte corporal alternativa

 
Saúde & Bem-estar

Body piercing: arte corporal alternativa

Piercing estrelas no umbigo

Se acha que o body piercing – a arte de furar e adornar o corpo com pequenos objectos ou jóias – é uma “modernice”, engana-se! É praticada há mais de cinco mil anos, tendo cada vez mais adeptos, incluindo a mulher com mais piercings do mundo: a escocesa Elaine Davidson detém o recorde Guinness desde 2001, com um total de 720 piercings! Saiba tudo o que interessa sobre esta que é já considerada uma forma de arte corporal.

Piercings históricos

Em tempos longínquos, em diferentes pontos do mundo, já muitos povos distintos perfuravam os seus corpos, marcando-os das mais variadas formas e sempre com um significado associado. Por exemplo, os antigos sacerdotes dos templos Astecas e Maias faziam piercings na língua como parte integrante de um ritual de comunicação com os deuses. Por sua vez, as castas mais nobres dos Astecas e Maias não dispensavam adornar os lábios com labutes de ouro, num sinal de pura sedução.

O piercing no nariz tem as suas origens no Médio Oriente de há 4 mil anos e foi rapidamente difundido na Índia onde o tipo de jóia utilizada distinguia as castas e os estatutos sociais. Actualmente um dos piercings mais populares, o primeiro umbigo furado da história aconteceu no antigo Egipto, onde esta era uma prática reservada exclusivamente aos faraós e as famílias reais. Igualmente comum, o piercing colocado no lóbulo da orelha já foi utilizado para distinguir os ricos dos pobres (as tribos Sul-Americanas e Africanas consideravam que quanto maior o furo, maior o status social); mas também pelos marinheiros que acreditavam que este melhorava a sua visão; e pelos romanos que o viam como símbolo de opulência e luxúria!

Considerados poderosos afrodisíacos, os piercings labiais foram e continuam a ser populares junto das tribos africanas, onde as mulheres colocam “pratos” nos lábios para atrair os homens. Os nativos da América Central, entre outros, defendiam o piercing no mamilo como um símbolo de força e virilidade, sendo normalmente reservados aos homens. No entanto, e como a moda e a novidade acaba por ser irresistível, os piercings finalmente conquistaram a classe média e a aristocracia europeia entre os séculos XVIII e XIX. Diz-se até que as mulheres Vitorianas ousavam fazer piercings nos seus mamilos, que enfeitavam com jóias provenientes dos mais famosos joalheiros de Paris!

O início do século XX marcou o declínio desta arte corporal que voltou a emergir nas décadas de 60 e 70 depois da passagem de muitos “hippies” pela Índia, onde o piercing ainda era prática comum. Os piercings foram adoptados por uma nova “tribo urbana” nos anos 80 e 90 – os “punks” – até se generalizarem por completo, fugindo da conotação rebelde e marginal à qual ainda esteve associado durante algum tempo.

O piercing no século XXI

Tal como as tatuagens, também os piercings já atingiram o estatuto de acessório de moda e onde parece reinar o espírito “quantos mais melhor”, no entanto, diferem no sentido da permanência, uma vez que o piercing é muito mais fácil retirar do que uma tatuagem. Os tradicionais brincos saltaram das orelhas para diversas partes do corpo, algumas mais ousadas do que outras: sobrancelha, orelha, entre os olhos, nariz, língua, lábio, umbigo, mamilo, órgãos genitais. Com recurso a uma agulha e alicate, a parte do corpo que irá receber o piercing é literalmente perfurada para poder acolher a jóia escolhida e que tanto pode ser uma argola, uma bola ou uma borboleta! O ideal é que o objecto do seu desejo seja confeccionado em material hipoalérgico, ou seja, em aço cirúrgico, ouro, prata ou acrílico. Os preços dos piercings variam conforme o local do corpo onde é aplicado, podendo ir dos €35 | $R 105 aos €50 | R$150 aproximadamente.

A dor e os riscos de furar

A aplicação de um piercing implica a corte e a abertura do corpo humano onde se coloca um “objecto estranho” ao organismo. Para além do risco de infecção ou de alergias (principalmente se os materiais utilizados não forem adequados e/ou não estiverem devidamente esterilizados) existe, naturalmente, algum grau de dor associado. Saiba o que lhe espera, sem esquecer que cada pessoa reagirá de forma diferente à colocação de um piercing:

  • Sobrancelha – pouco doloroso, os seus olhos vão lacrimejar; tem um risco de infecção diminuta, uma vez que é uma zona do corpo fácil de limpar.
  • Orelha – dor moderada; tem um risco de infecção diminuta, uma vez que é uma zona do corpo em constante ventilação.
  • Entre os olhos – pouco doloroso, os seus olhos vão lacrimejar; tem um risco de infecção diminuta, uma vez que é uma zona do corpo fácil de limpar.
  • Nariz – dor moderada, ficará com vontade de espirrar sem parar; tem um risco de infecção elevado porque é uma zona húmida e muito exposta aos elementos naturais e à poluição.
  • Língua – dor moderada, semelhante ao de morder ou cortar a língua; tem um risco de infecção elevado dado o seu uso e por ser uma zona do corpo quente e húmida; também a fala e a mastigação podem ser afectadas nos primeiros dias de cicatrização.
  • Lábio – dor moderada; tem um risco de infecção razoável uma vez que os lábios tanto podem estar molhados como secos.
  • Umbigo – dor moderada, diz-se que parece mais um “beliscão”; tem um risco de infecção elevado uma vez que esta zona do corpo nem sempre é seca como deve ser, incentivando a acumulação de humidade e bactérias.
  • Mamilo – uma das zonas mais dolorosas, dada a sua sensibilidade; tem um risco de infecção moderado (a fricção constante com a roupa pode criar irritação).
  • Órgãos genitais – por motivos óbvios, é considerada a área do corpo onde dói mais colocar um piercing; tem um risco de infecção elevado dada a sua localização e por ser uma zona quente e húmida.

Recomendações: antes e depois

Antes

  • Recorra às boas referências antes de escolher o seu “piercier”.
  • Visite o salão ou estúdio de piercing com antecedência para verificar se o ambiente obedece a todas as normas de higiene e segurança que uma actividade destas requer.
  • Certifique-se que tenha as vacinas contra o tétano e a hepatite B em dia.
  • Não faça um piercing se estiver doente (mesmo que seja apenas uma constipação) porque uma vez que tem o sistema imunitário mais debilitado, o risco de infecção é maior.
  • Não faça um piercing se tiver algum problema dermatológico (acne, dermatite, herpes, verrugas ou outra infecção bacteriana da pele) ou se é habitual as suas cicatrizes ficarem com muito relevo.
  • Assegure-se que o “piercier” limpe e desinfecte a sua pele antes de colocar o piercing; que todo o material utilizado esteja esterilizado e individualmente embalado; e que o for descartável seja eliminado de forma apropriada.

Depois

  • Não remova ou troque o piercing até este cicatrizar por completo.
  • Antes de tocar no piercing, lave sempre as mãos com sabonete anti-séptico.
  • Não permita que alguém toque no seu piercing sem ter as mãos lavadas.
  • Evite a exposição solar, saunas, banhos no mar ou na piscina durante o processo de cicatrização.
  • Deve seguir as instruções dadas pelo “piercier” relativamente à desinfecção do piercing, que apenas deverá ser feito com anti-séptico e, eventualmente, uma pomada que acelere a cicatrização.
  • Não aplique álcool, água oxigenada, mertiolate, mercúrio ou outro creme que não tenha sido recomendado pelo “piercier”.
  • Deve lavar os piercings faciais e corporais 2 vezes por dia durante 2 meses (utilize um sabonete anti-séptico ou uma mistura de água e sal – salmoura).
  • Deve lavar os piercings orais depois de comer, beber ou fumar, durante 6 semanas, evitando o sexo oral (utilize um anti-séptico bucal ou uma mistura de água e sal – salmoura). No caso destes, pode ainda chupar gelo e beber água gelada nos primeiros dias, evitando alimentos apimentados, ácidos, ovos, chocolates, carne de porco e, claro, os beijos.
  • Deve lavar os piercings genitais 3 vezes por dia, durante 3 meses, com sabão de PH adequado. Deve evitar as relações sexuais até à cicatrização completa ou então utilizar sempre um preservativo.
  • Após a lavagem, os piercings devem ser bem secos para evitar a formação de bactérias e/ou crostas.
  • Tenha cuidado com roupas apertadas e tecidos sintéticos que possam irritar o piercing, resultando em infecções indesejadas ou um processo de cicatrização mais lento.
  • O processo de cicatrização pode revelar-se mais moroso se adoecer se tiver níveis de stress muito altos, uma má alimentação, beber álcool em excesso ou consumir drogas.
  • Sempre que possível, e para evitar infecções desagradáveis, não permita que o seu piercing entre em contacto com fluidos corporais (seus e de outras pessoas), cosméticos, perfumes, bronzeadores, objectos sujos ou de uso público.
  • Vigie o seu piercing diariamente, consultando de imediato um médico se sentir febre, um mau estar generalizado, dor, vermelhidão e/ou inflamação na zona do piercing.
  • Uma vez feito o piercing, não pode doar sangue durante um ano.

Cicatrizar com tempo

Os piercings realizados directamente sobre a pele ou em zonas mucosas têm uma cicatrização mais rápida do que aquelas realizadas em zonas com maior cartilagem. Descubra quanto tempo demora o seu corpo para recuperar, por completo, de um piercing: Lóbulo da orelha – 1 a 2 meses

  • Cartilagem da orelha – 2 a 3 meses
  • Sobrancelha, entre os olhos – 2 a 3 meses
  • Língua – 4 a 6 semanas
  • Aba do nariz (nostril), septo – 1 a 2 meses
  • Lábios, bochecha – 1 a 3 meses
  • Mamilo – 4 a 12 meses
  • Umbigo – 4 a 8 meses
  • Órgãos genitais – 2 a 8 meses
Comentários (0)