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A História e Importância do Preservativo

A História e Importância do Preservativo

A preocupação com a contraceção é antiga, sendo que o preservativo foi possivelmente inventado 16 séculos antes da nossa época, tendo sido encontrados carapuços na extremidade do pénis em templos datados de 1350 a 1200 a.C. Contudo, pensa-se que o primeiro preservativo tenha sido feminino, no qual as mulheres, através da bexiga de cabra ou vegetais, procuravam proteger-se do esperma[1], sendo que se atribui ao povo grego o uso de preservativos feitos de bexigas de peixe[2].

Antes do século XV, é registada a utilização de preservativos na Ásia, sendo que na China os preservativos podiam ser feitos com papel de seda oleada; e no Japão eram produzidos com casca de tartaruga ou chifres de animais[3].

Os preservativos masculinos têm sido utilizados há séculos com o objetivo de evitar a gravidez e como prevenção das Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST’s). De facto, e apesar de terem sido encontrados nos fragmentos da arte egípcia antiga, indícios do uso do preservativo feitos de papiro[4], a primeira ilustração de um homem a usar um preservativo durante as relações sexuais foi encontrada numa caverna em França – Grotte des Combarrelles – e data de há 12.000-15.000 anos atrás[5,6]. Porém, a sua primeira descrição escrita surgiu em 1564, através de Gabriel Fallope, que refere a criação de uma capa de linho embebida numa mistura de ervas e absinto e que se adaptava à glande com o objetivo de prevenir contra a sífilis. Consequentemente, o procedimento recomendado para a prevenção desta doença de transmissão sexual era a utilização deste preservativo, apelidado por Shakespeare como “luva de Vénus”[7].

Capa de linho – “Luva de Vénus”

No século XVII foi referido, pela primeira vez, o papel contracetivo do preservativo, que passou a ser utilizado como forma de se evitar uma gravidez indesejada. Neste século, surgem os preservativos feitos com o ceco ou intestino de animais (e.g. porco, cordeiro) e que foram designados de Condom ou sobrecasaca inglesa[8].

Preservativo feito de intestino de porco

No século XVIII, Casanova menciona nas suas memórias, as propriedades profiláticas e contracetivas do preservativo, condom ou camisa-de-vénus[9]. Neste mesmo século, é assinado o tratado de paz em Ultrecht, na Holanda, que colocou fim à guerra de sucessão espanhola. Este tratado levou à reunião de inúmeros diplomatas, tendo permitido a propagação do nome do preservativo e, por conseguinte, da sua utilização, em diversos países europeus, como Portugal, França, Espanha, Itália, possibilitando assim a sua venda em diversos bordéis londrinos[10].

Em 1870, surgem os primeiros preservativos feitos de borracha. Contudo, ainda não eram descartáveis, nem muito cómodos. Em 1930, nos EUA, foi popularizado o preservativo feito de látex e descartável, apesar de já ter começado a ser produzido em série em 1839.

Em 1960, com a invenção da pílula, o preservativo deixa de ser considerado um método contracetivo primário. Contudo, com o surgimento da SIDA na década de 80 do século XX, a utilização do preservativo masculino ganhou terreno face aos diversos métodos contracetivos, na medida em que, para além da abstinência sexual e do preservativo feminino, é o único que promove, com grande eficácia, a prevenção face às IST’s[11].

Atualmente, existe uma panóplia de preservativos que diferem desde o tamanho, cor, textura e aroma, que podem ser lubrificados ou não, permitindo que o casal utilize o preservativo como um brinquedo sexual em detrimento de o percecionar como uma “barreira”.

 

Preservativos com diferentes texturas com o objetivo de proporcionar maior prazer

 

Preservativos com diferentes cores e/ou aromas

  

Preservativos que poderão ser utilizados como brinquedos sexuais

No que se refere ao preservativo feminino, este foi produzido pela primeira vez na década de 90 do século XX, no Reino Unido, tendo as mesmas funções do preservativo masculino, ou seja, prevenir contra uma IST e uma gravidez indesejada[12].

Em Portugal, apesar de a sua distribuição ser gratuita, o preservativo feminino não teve muita adesão, possivelmente porque as campanhas publicitárias não alcançaram a eficácia que esperavam ou por falta de conhecimento sobre a existência do mesmo ou porque o seu aspeto poderá inibir a sua utilização.

Preservativo Feminino


Dra. Sofia Melo Refoios

 

1, 2, 3, 4, 5 – Collier, A. (2007). The humble little condom: A history. Virginia University:
Prometheus Books.

12 – Duarte, R. G. (2005). Sexo, sexualidade e Infecções Sexualmente Transmissíveis (2ª Edição). São Paulo: Editora Moderna.

6 – Parisot, J. (1987). Johnny come lately: A short history of the condom. London: Journeyman.

1, 7, 8, 9, 10, 11 – Vidal, V. (1998). A pequena história do preservativo. Porto: Campo das Letras.

Fonte Imagens: www.google.com

A preocupação com a contraceção é antiga, sendo que o preservativo foi possivelmente inventado 16 séculos antes da nossa época, tendo sido encontrados carapuços na extremidade do pénis em templos datados de 1350 a 1200 a.C.